CFP: Revista de História da Arte, n.º12 – Crisis

Revista de História da Arte N.12 – Crisis
Edited by Margarida Brito Alves, Giulia Lamoni and Katherine Sirois
Call for papers
The next issue of Revista de História da Arte, published by Instituto de História da Arte, will focus on the subject of “Crisis”.
In the last few years, as a kind of muted persistence of developments throughout the 20th century, the term “crisis” has been repeated to exhaustion with regard to a period of instability resulting from an economic collapse, which gives it an inevitably negative and dramatic character.
However, from its origins, the word “crisis” has always related to a judgment, even a diagnosis, thus referring rather to the assessment of a defining time of transition, capable of evolving in different ways.
In its various meanings, the Greek term krisis corresponds somehow to a critical moment, a choice or an action, on the background of intense conflict. A crisis brings about an outcome, it determines a decisive result for an individual or a society. In medical terms, the notion of crisis – originating from the legal sphere – links in with humans and the realities of the body; it refers to a breaking point, a sudden change in the evolution of a disease (J. Pigeaud). In the cultural, artistic and intellectual fields, a crisis involves a challenge, whether by questioning, confronting or rejecting the traditions, conventions and legacies of the past (E. Husserl, H. Arendt, H. Belting). It is a process that can open up new pathways, new methods, new paradigms, new objects. In sum, the notion of crisis inevitably invokes something new, breaking up in a more or less radical fashion with what was previously established. In its more extreme form, a crisis corresponds to a passage marked by turbulence, tension and disorganization, at times convulsed and anxiety-inducing. It evokes transition periods which demand urgent action and a sense of responsibility, so they can reach their end in their move forward towards the unknown, the new, the unprecedented. A crisis thus coincides with a time of effervescence and great creative vitality capable of giving rise to foundational acts.
As a turning point, a crisis can therefore be linked to the notion of rupture, but it can equally affirm dynamic productive forces, thus constituting an opportunity, or a challenge, to create and define a new paradigm.
Notwithstanding various recent initiatives aiming at problematizing the notion of “crisis” over a wide range of areas, we propose to reflect on it in the field of the History of Art, here necessarily understood in its interaction with the broader ground of the Social Sciences.
For Art History, the notion of “crisis” can indeed be a fertile one, as it can be reflected upon across the board: from Antiquity to Contemporaneity, the History of Art can be seen as a set of narratives linked to various critical processes. As such, a crisis ceases to be an “exceptional condition” to become a recurrence, even a “state of normality” stretching indefinitely in time (G. Agamben 2013).
Based on these premises, issue 12 of Revista de História da Arte aims at creating a space for problematizing the concept of “crisis” within Art History and artistic production – including Architecture, Dance, Theatre and Cinema – but also in their interaction with other areas of the Social Sciences and Humanities.
To this end, we invite the submission of article proposals exploring the subject within a variety of geographical and cultural contexts, based on, but not limited to, any of the following approaches.
a) Problematizing the concept of “crisis” and its genealogies
b) “Crisis” as builder of new models and paradigms
c) Disciplinary crises in Art History
d) Crises in Discourses / Narratives
e) Crisis: Modernism(s) / Post-Modernism
f) Crisis and heterodoxy (including the crisis of artistic categories / crisis of the autonomy of art)
g) Traditions and historical legacies / Modernisms and Avant-gardes: creative conflicts and the notion of novelty.
h) The impact of the current crisis and its problematization in contemporary artistic practices.
i) Culture and Art as “arms of resistance” against the crisis.
j) Culture crisis / Education crisis
Original abstracts should be maximum 300 words in length and clearly indicate the author’s name, institutional affiliation, e-mail address and brief biographical note. Abstracts should be sent in Portuguese, English or French to RHAcrisis@gmail.com by June 20th 2014.
Papers selected based on original abstracts will need to be sent by October 15th 2014, when they will be submitted to a peer-review process. Articles should be maximum 5000 words in length and follow the editorial guidelines available on:
https://institutodehistoriadaarte.files.wordpress.com/2013/06/normas-de-redac3a7c3a3o.pdf
Scientific coordination:
Margarida Brito Alves is Assistant Professor in the Department of Art History, FCSH, and a researcher at IHA, where she is in charge of the Research Group on Contemporary Art Studies.
Giulia Lamoni is a post-doctoral researcher at IHA where she coordinates the Research Line on Transnational Perspectives on Contemporary Art: Identities and Representation.
Katherine Sirois is a PhD candidate in Art History and Aesthetics in Paris (Panthéon-Sorbonne) and Lisbon (FCSH), as well as being an IHA researcher with an FCT fellowship.

 

 

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Revista de História da Arte N.12 – Crise
Editada por Margarida Brito Alves, Giulia Lamoni and Katherine Sirois
Call for papers
O próximo número da Revista de História da Arte, publicada pelo Instituto de História da Arte, terá por tema a «Crise».
Ao longo dos últimos anos, como uma remanência surda dos eventos que decorreram ao longo do século XX, o termo “crise” tem sido exaustivamente repetido, remetendo para um período de instabilidade resultante de um colapso económico – o que lhe atribui uma carga inevitavelmente negativa e dramática.
Contudo, desde a sua origem a palavra “crise”, está associada a um juízo, e até mesmo a um diagnóstico, correspondendo assim à apreciação de um momento de transição determinante, e capaz de evoluir de forma diversa.
Nas suas diferentes acepções, o termo grego krisis corresponde, de certo modo, ao momento crítico, a uma escolha ou a uma acção, que tem por fundo um conflito intenso. A crise designa um desenlace, determinando um resultado que é decisivo para o indivíduo ou para a sociedade. No quadro médico, a noção de crise – que tem a sua origem na esfera jurídica –, está associada ao ser vivo e às realidades do corpo, equivalendo a um ponto de ruptura, a uma mudança súbita na evolução de uma doença (J. Pigeaud). Nos domínios cultural, artístico e intelectual, a crise implica colocar em causa, através do questionamento, do confronto ou da rejeição, as tradições, as convenções, ou as heranças do passado (E. Husserl, H. Arendt, H. Belting). Com base nesse processo, poderão então surgir novas orientações, novos métodos, novos paradigmas, novos objectos. Em suma, a noção de crise apela inevitavelmente ao novo, rompendo, de forma mais ou menos radical, com o que estava anteriormente estabelecido. A crise, no seu grau paroxístico, corresponde a uma passagem que não ocorre sem turbulências, sem tensões e sem uma desorganização por vezes convulsiva e angustiante. Evoca os momentos de transição que apelam à urgência da acção e ao sentido de responsabilidade, de modo a chegar a seu termo, em direcção ao desconhecido, ao novo ou ao inédito. Coincide assim com um momento de ebulição e de grande vitalidade criativa, através do qual podem emergir actos de fundação.
Enquanto ponto de viragem, a crise pode então equivaler a uma noção de ruptura, mas pode, igualmente, anunciar a afirmação de uma dinâmica produtiva, constituindo-se, nesse sentido, como uma oportunidade, ou um desafio, para a criação e definição de um novo paradigma.
Apesar de ultimamente, e nas mais diversas áreas, terem surgido diferentes iniciativas que problematizam a noção de “crise”, propomo-nos pensá-la no campo da História da Arte – aqui necessariamente entendida em articulação com o quadro mais alargado das Ciências Sociais.
Com efeito, para a História da Arte a noção de “crise” é amplamente fecunda, podendo aliás ser pensada como um elemento transversal: da Antiguidade à Contemporaneidade, a História da Arte pode ser perspectivada como um conjunto de narrativas ligadas a diferentes processos de crise – o que torna assim a crise não numa “condição de excepção”, mas numa recorrência, ou mesmo num “estado normal”, prolongando-se indefinidamente no tempo (G. Agamben 2013).
É com base nestas coordenadas que o Nº 12 da Revista de História da Arte se pretende constituir como um espaço de problematização da “crise” a partir da História da Arte e da produção artística – incluindo a Arquitectura, a Dança, o Teatro ou o Cinema –, mas também de outras áreas das Ciências Sociais e Humanas.
Nesse sentido, encorajamos propostas para artigos que explorem o tema, tomando como referência diferentes contextos geográficos e culturais, através das seguintes abordagens (embora não se deixando limitar por elas):
a) Problematização do conceito “crise” e das suas genealogias
b) A “Crise” enquanto construção de novos modelos e paradigmas
c) Crises da História da Arte enquanto disciplina
d) Crises dos Discursos / Narrativas
e) Crise: Modernismo(s) / Pós-Modernismo
f) Crise e heterodoxias (incluindo crise das categorias artísticas / crise da autonomia da arte)
g) Tradições e heranças históricas / Modernismos e vanguardas: os conflitos criativos e a noção de novo.
h) O impacto da actual crise e a sua problematização nas práticas artísticas contemporâneas.
i) A Cultura e a Arte como “armas de resistência” face à crise.
j) Crise da Cultura / Crise da Educação
Os abstracts originais devem ter um máximo de 300 palavras e incluir a identificação do autor (nome, afiliação, mail de contacto e breve biografia). Estes abstracts devem ser submetidos em português, inglês ou francês, e enviados para RHAcrisis@gmail.com até 20 de Junho de 2014. Os artigos selecionados, que serão submetidos a um processo de peer-review, terão de ser enviados até 15 de Outubro de 2014, e devem ter um máximo de 5000 palavras, respeitando as normas de edição da revista disponíveis no seguinte link:
https://institutodehistoriadaarte.files.wordpress.com/2013/06/normas-de-redac3a7c3a3o.pdf
Coordenação:
Margarida Brito Alves é Professora Auxiliar no Departamento de História da Arte da FCSH e investigadora do IHA, onde coordena o Grupo de Investigação Estudos de Arte Contemporânea.
Giulia Lamoni é Investigadora FCT em Pós-Doutoramento no IHA, onde coordena a Linha de Investigação Transnational Perspectives on Contemporary Art: Identities and Representation.
Katherine Sirois é Doutoranda em História da Arte e em Estética em Paris (Panthéon- Sorbonne) e em Lisboa (FCSH), sendo investigadora do IHA e bolseira da FCT.

 

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